sábado, 3 de janeiro de 2009

Temporal


Está vendo o temporal?
Ele chegará em breve do mesmo jeito voraz. Ventando forte, levando meus pensamentos... Aqueles que eu já não poderia guardar em mim.
Escuta o chamado que vem no som do trovão - até a lua se esconde na noite.
Cá estou eu novamente, no meio da rua, na chuva, em meio aos clarões e relâmpagos, entregue a tempestade do meu próprio âmago.
Não consigo dizer sim, não consigo dizer não, não consigo pensar em nenhum plano ou possibilidade. Alguma ausência permaneceu por dentro, e dentro é tão escuro...
Tenho sonhos remendados que nem sei onde os guardo, quero achá-los dentro de mim!
Sinto-me meio boba, como a criança que aguarda ansiosamente para que o conto de fadas torne-se real, e quando fecha os olhos enxerga um mundo colorido e louco.
Ainda tenho este mundo escondido por dentre minhas veias, correndo junto ao sangue e energia do meu ser, mas não encontrei nenhum corajoso ser, que pudesse entrar nesse estranho mundo, nenhuma infantil criatura que queira jogar comigo, lançar dados, apostar vertigens.
Qual será o próximo caminho?
Cansei de batalhar em duelos onde sou meu oponente.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

À cobrar...

“Sua chamada está sendo encaminhada para caixa de mensagens e estará sujeito a cobrança após o sinal...”
Sempre existe algum sinal que nos avisa antecipadamente sobre as situações que desencadearão cobranças, algumas simples como 14 centavos o minuto, outras complexas, que perduram durante tempos e pesam em nossa responsabilidade.
No primeiro caso geralmente desligamos e deixamos para uma próxima vez, no segundo parecemos ignorar o sinal e persistimos mesmo sabendo que se segue para caminhos irreparáveis.
Sempre procuro porquês para tudo, talvez encontre mais interrogações que sorrisos...
Ainda sim prefiro sorrisos, expontâneos obviamente, e talvez um pouco de sarcasmo para ter graça em qualquer situação.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Destino

Acabo de perceber mais uma vez como é a trilha da vida...


Não é algo que se prevê em cartas, se calcula em algarismos, se prepara em roteiros, se planeja em viagens. É muito mais complexo, muito mais instigante e angustiante ao mesmo tempo.
Talvez seja o efeito do sol, talvez seja as noites com vento, algo mudou de novo.
Eu tão calada me sinto, tão ensurdecida me sinto.
Em meio a tantos outros, ao mesmo tempo em meio ao nada: são como se fossem apenas vultos que finjem existir, e não me alcançam, e não me tocam, e não me afetam.
Tudo aquilo que desejava como verdadeiro, desprende-se denovo das minhas vontades ou de qualquer esforço que eu faça, não poderá ver-se como realidade!
E por quê? Se é assim que quer o "grande ser" que julga a imperfeição, eu o nego! Sou a morada de uma existência imperfeita, e acho sábia que seja assim, tantos eus dentro de mim, que a energia que emana é a mais concreta.
E se eu pedisse mais uma vez, a minha própria alma? Será que meu desejo seria concedido? será que meu espírito seria saciado? Será que algum dia meus pensamentos serão percebidos, por alguém? Ou por você.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Cor


Apenas mais uma, entre tantas, entre outras fotos...Nada de igual, nem diferente: apenas eu, apenas só.

Me repito, me nego, me refaço. Apago meus traços, me revelo num contraste, que realce a idéia, uma simples idéia de que eu ainda existo. Existo mesmo, não é mentira, sou de verdade - e tem vezes que até eu descrente de mim pergunto quem sou.

A resposta não vem assim, tão fácil, seria mais fácil comprender o que é liberdade do que saber ser livre. Assim que me escrevo, assim que me descubro, assim que me emudeço, assim que grito, assim anoiteço, assim... Eu de novo em mim, acordo pra dentro, grito pra fora, faço do meu jeito e pra terminar, ponho um ponto final: .

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Tempo

Eu queria escrever versos ou poemas hoje, não consigo. As palavras melódicas escaparam-me entre os dedos antes de um simples toque no teclado, antes que eu percaba não tenho versos mais para escrever.

Talvez bem tarde eu tenha entendido que não posso lutar contra minha própria natureza.
- Apareceu ali, à esquerda do meu peito, onde escuto palpitar minhas emoções mais profundas: minha própria imagem a mirar-me, com aspecto de julgamento, frio, duro. E eu cedi. Cedi ao olhar crítico do meu próprio ego, oh, que tola fui!
Quis me enquadrar de um modo bonito, emoldurar-me em madeira de lei, ser nobre e aceitável, e o que sobrou? Sobraram traços explícitos de uma devastação, queimadas semelhantes às feitas em florestas, sinto-me acinzentada como o verde das seculares árvores nesta triste situação.
Afortunado seja, porém, meu destino e minhas raízes, por mais que tenha me negado todo este tempo sombrio a hora de metamorfose chega. Eis que me vejo borboleta, eis que me vejo fênix, eis que me enfeitiço, desabrocho, assumo meu papel...
Toco a lua em todos os meus sonhos, que significados serão que encontrarei? A Noite me abraça e já sou tão diferente do que fui.Mas continuo a escutar o vento, sentir ele no meu rosto, na minha pele, nas minhas veias, quase como se fossemos um.

De novo voarei, aguarde meu pouso que logo voltarei, espero que o meu retorno seja sereno e tranquilo...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Um ponto a mais


A noite estava fria, vazia e tediosa, eu alocada num lugar físico com meus pensamentos vagando por lugares não reais. Não mais que derrepente, sou atraída novamente a superfície por uma voz que citou: 'Para encontrarmos a felicidade, devemos acabar com qualquer esperança.'

Fiquei perplexa. Embriago-me de esperanças todos os dias, por motivos quaisquer, estarei eu, rejeitando minha própria felicidade!? Logo em seguida uma breve explicação: 'A esperança remete a falta, a ausência de algo, nos causa angústia e anciedade; não traz nenhum sentimento positivo, muito menos alguma satisfação, viveremos sempre em busca de algo subjetivo que não preencherá este vazio criado pela esperança, e cada vez mais nos afastaremos da felicidade.'


Respiro fundo e forte, aspiro todas as idéias confusas que possam significar alguma coisa, confronto-me ao abismo sob meus pés e tento imaturamente avaliar o que seria a felicidade, o que me faz feliz. Ora, se tenho buracos em minha alma causais de uma esperança projetada, quero pagar pela minha escolha: este vazio, não o deixarei tão facilmente! Criei-o com as inúmeras memórias e lembranças que são minhas, não as vendo, nem alugo ou empresto, não as troco e muito menos as abandono!


Talvez tão forte como a chuva que avisto pela janela, são meus sonhos enxarcados de expectativas - talvez me veja assim, vulnerável a um destino não muito claro, porém desejado conscientemente através dos passos que marco no chão, dos beijos que marco em rostos ou bocas, das lágrimas que talvez tenha umidecido alguns olhares, do sangue que talvez tenha vazado em alguns corações... Não há revolta, nem constrangimento ou arrependimentos, eis que me rascunho em palavras, gestos e desenhos, eis que nem eu mesmo me entendo e nem quero entender. Tive de optar pelas noites de lua nova, crescente, cheia e minguante, onde adormeço feliz e esperançosa.

Noturna minha alma, solar minhas asas, surreal minha mente. Soturno meu coração?! Talvez não, talvez não...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Assim sendo...

Tem coisas que não compreendo, tão curtas, tão doces como um sonho bom...
Eu acordo de novo e vejo que as coisas parecem ser outras, nossa por quanto tempo eu durmi?
Eu queria durmir de novo, queria sonhar de novo, mas ouço o chamado da realidade, estridente no meu frágil tímpano, quase rompo de sons e gritos adormecidos.
Enfim, certas coisas não precisam de compreensão, a vida pede pela praticidade de um coração gelado, que não reconhece verão ou inverno, menos ainda o perfume da primavera ou o vento amigável de um outono.
Sou eu mesmo de novo?
Não existe isso pra mim, cada versão minha, mutante, mutável, é onde me reconheço:
Em todas as faces de espelhos quebrados, em todas elas que não me trazem má sorte...
Minha sorte é sempre a mesma e é só minha, a mim pertence e a minha lei obedece, será com ela que me guiarei, entre noites escuras ou dias claros, ao lado de gatos pretos ou pardos.
Floresci assim, fazer o quê?